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Suinocultura encara debandada no Reino Unido após o Brexit


Produtores britânicos aceleram o abandono da atividade, e excedente de animais passa de 100 mil

Matching Green, Inglaterra, 03/12/2021 | - -

Categoria: Mercado Externo

No curral de Chris Leamon, dezenas de leitõezinhos de uma semana de idade choramingam em torno de oito porcas que rosnam, brigando por leite. Mas, dentro de três meses, o galpão mergulhará no silêncio, as porcas serão enviadas para o abate e seus cercados de metal, vendidos a ferros-velhos.

Leamon, de 59 anos, vai deixar de criar porcos e migrar para um modelo conhecido no segmento como “bed and breakfast”: criar animais de um outro dono, de um criador de grande escala ou de um processador. A mudança é um grande passo para Leamon e para seu irmão Rob, cujos pais fundaram a granja de criação de suínos de Essex, de 8 hectares, há quase 70 anos.

Eles fazem a transição em um setor em crise: com os abatedouros britânicos em dificuldades para encontrar mão de obra após o Brexit, e com a redução da demanda chinesa, as processadoras estão aceitando menos porcos para o abate, o que faz com que Leamon, e muitos outros, operem com prejuízo.

Os irmãos proprietários tinham planejado se aposentar ou reduzir a produção quando chegasse a hora, “mas isso aconteceu muito antes do que prevíamos”, afirmou Leamon.

Algumas granjas britânicas estão passando por problemas muito maiores: pelo menos 14 mil porcos, e provavelmente muitos mais, foram sacrificados em granjas incapazes de lidar com o acúmulo de um excedente de mais de 100 mil animais prontos para o abate em todo o país.

Os suinocultores perderam estimados 130 milhões de libras esterlinas (R$ 970 milhões, segundo o câmbio atual) no primeiro semestre do ano, disse Zoe Davies, executiva-chefe da Associação Nacional de Suínos. Pelo menos 40 dos cerca de 2 mil suinocultores britânicos registrados no programa de seguros Red Tractor deixaram o setor neste ano, acrescentou ela. Outros estão encolhendo os rebanhos, ou, a exemplo dos Leamon, passando a criar animais de outros sob contrato.

A maioria dos abatedouros está com 15% a menos de açougueiros qualificados, com uma queda de cerca de 25% dos níveis normais de produção. O governo flexibilizou suas regras pós-Brexit de imigração para ajudar: em outubro, foram distribuídos 800 vistos temporários para açougueiros estrangeiros. Também instituiu um programa para ajudar os abatedouros a armazenar animais abatidos.

A concessão de vistos foi obtida após dirigentes do setor terem mostrado a ministros e autoridades fotos e filmes chocantes de porcos sendo sacrificados, disseram os criadores. No entanto, a lentidão do processo de emissão de vistos, juntamente com a avaliação dos açougueiros estrangeiros, é responsável pelo atraso de sua chegada, afirma Nick Allen, executivo-chefe da Associação Britânica de Processadores de Carne.

Stephen Thompson, um criador de suínos dos arredores de Sheffield, disse temer um novo superávit de animais para abate em virtude das festas de fim de ano. “O Natal está se aproximando depressa, quando todo o setor fecha por duas semanas, mas nossos porcos continuam a dar cria por duas semanas. Esse será nosso próximo ponto crítico”, disse ele.

Os criadores normalmente enviam um excedente de porcos para abate antes do Natal, mas não conseguiram fazer isso devido à limitada capacidade dos abatedouros, disse ele. O aperto das condições de operação dos criadores foi especialmente agudo porque os custos das rações aumentaram para níveis recordes no ano passado, disse Leamon. No mais longo prazo, ele previu que haverá novos custos, gerados pela legislação de bem-estar social e ambientais em processo de implementação.

Os suinocultores têm de pagar multas a processadores por animais com excesso de peso mantidos por tempo demais nas granjas. E as remessas conhecidas como “carregamentos problemáticos” de porcos abatidos, cortados em seis pedaços e remetidos ao exterior a preços muito reduzidos abalaram as cotações de mercado nas últimas semanas.

Leamon tem cerca de 300 mais porcos do que o normal em sua granja, o que eleva o total para 3.500; isso significou dificuldades para seguir as rígidas medidas de biossegurança necessárias para evitar a propagação de doenças.

Outros têm muito mais excedentes de suínos, embora os que estão sendo obrigados a sacrificá-los relutem em falar publicamente. Davies disse que alguns criadores ficaram tão desesperados que pediram aos seus veterinários que abortassem leitõezinhos não nascidos para atenuar a superpopulação. “Foram os criadores que tiveram que cuidar disso, embora não seja culpa deles. Eles não fizeram nada de errado nesse caso e são os que têm de efetivamente sofrer o impacto”, disse Davies.

Há raiva entre os suinocultores porque, enquanto muitos operam atualmente de forma deficitária, as processadoras ainda estão registrando lucros. A processadora de carne Cranswick, com ações negociadas em bolsa, divulgou na semana passada um aumento de 12,5% no lucro antes dos impostos, se comparado ao mesmo intervalo do ano passado, que passou a somar 68,3 milhões de libras esterlinas no período de seis meses encerrado em setembro, embora a receita em bases comparáveis apurada com a carne de porco “in natura” tenha caído.

Adam Couch, executivo-chefe da Cranswick, disse que a empresa está processando carcaças nos fins de semana para reduzir o volume de produção em atraso e que espera que sua unidade de Norfolk, uma das três do Reino Unido que abriram mão de suas licenças de exportação para a China no ano passado após os surtos de covid-19, conseguirá em breve retomar as vendas para a China.

A ministra britânica do Meio Ambiente, Victoria Prentis, sugeriu que “talvez tenha chegado a hora de começar a pensar sobre justiça na cadeia da carne de porco”. Davies disse que tudo indica que foram abatidos mais porcos desde que começou o sacrifício, em outubro, do que o estimado anteriormente. Uma empresa de transportes, disse, informou ter retirado 250 toneladas de carcaças de porcos sacrificados por semana, o que equivale a 1,6 mil animais maduros ou a 35 mil leitões. (Tradução de Rachel Warszawski)


Fonte: Valor Econômico/Financial Times
Autor: Judith Evans




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